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Historia de Angra dos Reis

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Historia de Angra dos Reis

Angra dos Reis foi desbravada por portugueses em 6 de Janeiro de 1502, após a descoberta do Brasil, quando a coroa portuguesa exigiu que uma capitania fosse enviada a nova colônia para ser desbravada.

A esquadra comandada pelo navegador português Gonçalo Coelho entrou na baía da Ilha Grande no dia 6 de janeiro de 1502. Era dia de Reis e por esse motivo batizou-a Angra dos Reis. As chuvas e o clima quente e úmido do verão fizeram da passagem por Angra, um momento especial. Um dos integrantes da esquadra, Américo Vespúcio, escreveu a Portugal:

´Algumas vezes me extasiei com os odores das árvores e das flores e com os sabores dessas frutas e raízes, tanto que pensava comigo estar perto do Paraíso Terrestre. E o que direi da quantidade de pássaros, das cores das suas plumagens e cantos, quantos são e de quanta beleza? Não quero me estender nisto, pois duvido que me deem crédito`

Na época, a região era habitada pelos índios goianases chefiados pelo Cacique Cunhambebe. O núcleo inicial formou-se no local conhecido atualmente como Vila Velha, em frente à Ilha da Gipóia.

Angra era habitada pelos silvícolas, os escravos e os exploradores deixados pelos navegadores. As atividades locais eram voltadas para a caça, a pesca e a pequena lavoura. Na época, a Ilha Grande, chamada pelos índios de Opauau-Guaçu, era habitada apenas por silvícolas não havendo moradores brancos. Era um lugar rico em madeiras com pontos apropriados para a construção de embarcações.

No século dezessete, com Angra dos Reis ainda Vila e sediada na Vila Velha, eram constantes as incursões de navios piratas pelo litoral angrense. Nesta época a principal atividade no local era a pecuária, a pesca e a agricultura de subsistência.

Foram os filhos do capitão-mor da Capitania de São Vicente que fizeram o local prosperar. Várias fazendas se formaram na região, com intensa utilização de mão de obra indígena e escrava.

Como a maioria dos povoados brasileiros, Angra teve forte influência da Igreja Católica. Nesta região é belíssimo constatar essa influência na quantidade de conventos, igrejas, monumentos e ermidas, construídas inclusive nas ilhas, como a Ermida do Senhor do Bonfim, a Igreja de Santana e a Igrejinha da Piedade, que misturadas com a natureza intacta parecem sair diretamente do passado.

No século XVIII Angra fez parte da rota do ouro, um caminho criado e amplamente utilizado pelos exploradores do ouro das Minas Gerais. Toda produção seguia para Portugal passando por diversas cidades brasileiras e chegando ao mar através do litoral sul-fluminense.
Esta rota também foi utilizada posteriormente para escoar a produção do café do Vale do Paraíba, nesta época Angra investia na produção de cana de açúcar.

No final do século XIX, com o declínio da produção do café e abolição da escravatura, a rota entre Angra, Vale do Paraíba e Minas perdeu a importância econômica, sendo hoje um interessante passeio ecológico nos trechos mais preservados.

A Estrada de Ferro encomendada por Pedro II, que ligaria o Rio a São Paulo passando por Angra não conseguiu vencer os inúmeros obstáculos de montanhas, riachos e enseadas, e não conseguiu chegar ao Porto de Angra dos Reis, o que acabou isolando-a de vez do fervor econômico do início do período republicano.

A construção do Estaleiro Verolme, na década de 50 e a instalação de um terminal de desembarque pela Petrobrás, impulsionaram a atividade operaria na região e mantiveram a economia da cidade por décadas. Nos anos 70 com o programa nuclear brasileiro, Angra foi escolhida como berço das 8 usinas do projeto inicial. Foram construídas até hoje apenas duas, Angra I e Angra II, que funcionam regularmente sem acidentes, pelo menos até aqui.

Eram promessa de crescimento econômico, mas movimentaram muito pouco a economia da cidade, com vilas independentes e recursos e receitas federais. Já foi grande polêmica, hoje operam sem muitos protestos, mas com muitos olhos atentos. Angra também abrigava o Instituto Penal Cândido Mendes, construído na Ilha Grande (praia de Dois Rios), que, boa parte por causa dessa aberração, ficou deserta e poupada do crescimento da atividade turística por muitos anos, até que foi extinto em 1992.

Com a inauguração da Estrada Rio-Santos, a atividade turística virou grande potencial. As novelas globais germinaram a Angra glamourosa com suas residências maravilhosas dos Vips e colunáveis nacionais e internacionais.

Na década de 90, com o fechamento do Estaleiro holandês Verolme, a perda da importância do terminal petrolífero devido ao polo petroquímico de Itaguaí, o crescimento descontrolado da atividade pesqueira, Angra se voltou para o turismo e ainda hoje aprende a domar a atividade.

Neste início de século tem visto a volta dos investimentos na indústria pesada, com a reativação do Estaleiro.

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